terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Manual prático de como ser ridículo

Ser ridículo faz parte da vida. Afinal, viver é ridículo.
Rotular pessoas loucas chamando-as de ridículas é ridículo.
Rotular pessoas como bem sucedidas é ridículo.
Gravatas com formas geométricas são ridículas.
Mandar “beijo” no final da ligação é ridículo.
Coçar o ouvido com a tampa da caneta é ridí... nojento, na verdade.

Antigamente eu pensava que as únicas coisas que me tornavam uma pessoa ridícula eram:
Procurar por auto-afirmação na frente de desconhecidos, fazer piadas sem graça e me apaixonar.
E querem saber? Se apaixonar é a coisa mais ridícula em todos os sentidos.
Há muito tempo não o faço, mas lembro em cada detalhe como é o ritual.
Pensar em uma só pessoa durante todo o tempo do seu dia é completamente ridículo.
Coração acelerado é ridículo.
Se arrumar é ridículo.
Contar os minutos é ridículo.
Eu gritei com a pessoa pela qual me apaixonei. E isso foi exageradamente ridículo.
É ridículo perder o controle da situação quando se ama.
“Mostramos o pior de nós quando brigamos com a pessoa que mais amamos.”
Se mostrar dessa forma é ridículo.
Sorrir é ridículo. Engraçado você aí com cara de bobo.
Abraçar inesperadamente é, digamos, ligeiramente ridículo.
Se lembrar de todas essas situações, deitado antes de dormir, é a forma perfeita de se sentir ridículo.  
E se sentir ridículo tem como conseqüência uma vontade inegável de nunca mais ser ridículo.
Cair em público é um exemplo ideal. Olha que legal.
Não dá uma vontade gigantesca de nunca mais cair?

Não podemos dar vexame, é ridículo demais.
Nem vestir a roupa ao contrário e ir almoçar.
Não podemos peidar, oh! Por que? Gases são ridículos.
Pochete é ridículo. O Doctor Rey é ridículo. 
E se você jogou o nome dele no Google foi ridículo. 

Passamos a vida tentando parecer firmes, amáveis e equilibrados, não podemos gaguejar nem sair do banheiro sem dar descarga. 
Mas nos esquecemos que o fato mais ridículo da vida é passar por ela tentando não parecer ridículo. 









Foto: Doctor Rey

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Brigou, cagou com tudo.

Dá pra entender exatamente porque algumas pessoas têm medo de amar. Amar dói. Dói pra caramba. “Aaah o amor é lindo”, lindo é seu nariz. Lindo pra mim é a gente viver livre, gostar de si, sair pra beber com os amigos e não ter hora pra voltar. Ou nem voltar. Lindo pra mim é o galã da novela, que eu só olho e quando acaba o capítulo eu vou dormir tranquila. Amor não é lindo. Só ilusão, que nem verão. Sol brilha, tudo muito legal na praia, até que chega a hora de comprar as roupas de frio e você se vê tremendo debaixo das cobertas. E cadê o verão que estava aqui agora à pouco? Entende o que eu quero dizer? Não sei se você está aí, namorando/amando à anos e nada te abala, mas PRA MIM, amar é chato. Ta, eu amo meus pais e meus amigos. E fim. Mas amar alguém assim, quando você descobre que a pessoa tem tudo a ver com você, é chato. Porque a pesar de tudo, as vidas são diferentes. Nada disso de falar que dá pra viver em função de alguém e essa pessoa em função de você, porque não dá, meu amigo. Simplesmente não dá. Cada um tem sua perspectiva de vida, cada um tem suas vontades. Até casando é assim. Se a mulher quer uma filha, o cara quer um filho. E se tem um filho, a mulher quer que ele se chame ADERBAL e o cara quer colocar TAVARES. Ninguém se iguala ao ponto de não discutir por algo. E sabe, eu não gosto de discutir. 

Ok, estou num momento de revolta, achando que nada nunca dá certo pra mim. Nem se eu começar a me amar, eu vou me entender e eu e eu vamos discutir e nada mais será como antes. É isso. Revoltada. Eu queria que amor fosse legal, até porque estar com alguém é legal até certo ponto (deixemos isso claro), carinho pra lá, “meu amor” pra cá. Olha que lindo (só que não). Sexo é legal! FAÇA SEXO, NÃO FAÇA AMOR. Amar consome a gente, cansa se não for correspondido. E cansa ainda mais se for. Tudo cansa. A gente ama, é tudo lindo como verão, maravilhoso como milho cozido com margarina, até que chega a hora do ciúme, da briga, do “quero fazer isso” contra o “eu não quero fazer isso agora”. Generalizo SIM. Briga existe em todo relacionamento. E não me venha com “meus avós fizeram bodas de ouro e nunca brigaram.” SEU CÚ. MENTIRA.

Só gostaria de deixar uma coisa bem clara: não sou uma pessoa de gênio forte, que briga por qualquer coisa e depois se derrete em lágrimas de arrependimento. Sou normal, só defendo o que acredito e se não tenho opinião formada, o silencio é sempre o fiel companheiro. Só não quero gostar, apaixonar e amar sabendo que com o tempo as coisas vão deixar de ser tão parecidas assim entre os dois. Eu sei que não dá pra ser feliz sozinho, mas deixa eu acreditar que dá, por enquanto. Pode ser que daqui a algum tempo eu mude um pouco de ideia e descubra que eu sou a maior sortuda do mundo e encontro alguém pra fazer bodas de ouro sem nunca ter divergências.... até porque, essa pessoa vai ter que entender, assim como eu, que brigar nunca resolve nada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Aviso da Lua que Menstrua

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro, transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas. Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe: VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha... ora, não ofende. Enaltece, elogia: comparando rainha com rainha óvulo, ovo e leite pensando que está agredindo que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem. Tá citando o princípio do mundo!

Elisa Lucinda

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Amor que Choveu

Era uma vez uma menina que amava demais. Amava tanto, que o amor nem cabia dentro dela. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremento, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado). A menina sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor ao menino que ela amava. Mas como saber o que ele achava dela? Na escola, tenha umas 300 meninas, na cidade umas 400.000, no mundo, vai saber, umas 2 milhões? Como é que ia acontecer de o menino se apaixonar justo por ela, que tinha se apaixonado por ele? A menina tentou trancar o amor em uma mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia da casa, do quarteirão e logo a menina saiu andando pela cidade escura - só ela brilhando nas ruas, deixando pegadas de All Star por onde pisava. "O que é que eu faço?" - perguntou ao prefeito, à amiga, ao doutor, e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. "Fala pra ele!" - diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ela não tinha coragem! E se ele não a amasse? E se não aceitasse todo o amor que ela tinha pra dar? Ela ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2078. Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele - se tem 8 braços para os abraços, por que não 4 corações para suas paixões? Ela é que não dava conta, era só uma menina, com apenas 2 mãos e o maior sentimento do mundo. Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que a menina não sabia era que seu amor era maior que o mar. E o amor da menina fez o oceano evaporar. Ela chorou, chorou e chorou pela morte do mar e de seu grande amor. Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor da menina, que chovia do Saara a Belém, de Meca a Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando o menino que a menina amava. E assim que a água tocou na sua língua, ele saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de uma amor tão grande, mas tão grande, que já não cabia dentro dele.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Não sei se cada um tem um destino, ou só se flutuamos sem rumo como numa brisa...mas acho que talvez sejam ambas as coisas. Talvez as duas coisas aconteçam ao mesmo tempo."